"É proibida a entrada a quem não estiver espantado de existir." José Gomes Ferreira













I'm on my way, Mr. Great Balls of Fire.




[It's gonna be a beautiful and cheerfull New Year's Eve.]





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Quando me dizem



"Boas entradas, até p'ó ano!"


Fico sempre indecisa na resposta.




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Lisbon by car




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Miúda do Deserto©








Sim, o puto é parvo...




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...mas também não lhe vou bater por causa disso. Respiro fundo e reciclo: é a sua diva e, com as devidas distâncias, eu também. É puto, é parvo, mas é meu sobrinho. É Yo! Hip Hop e na sua ainda pequena e confusa cabecinha eu sou parecida com uma tal de Sherifa Luna. E pronto, é Natal, a adolescência não dura para sempre e digo-lhe que sim. [Eventualmente com uma rinoplastia, um corte de cabelo drástico e muito boa vontade, vá...]







Eu, a ser mázinha: sim, pois é... por outro lado já não há tantas mulas e se calhar agora trabalham para o absurdo que ganham.



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A ex-assistente de bordo já viajava pela TAP na altura em que crianças e adolescentes repetiam em coro: "quero ser hospedeira quando for grande." Ser assistente de bordo era, para o imaginário adolescente, sinónimo de beleza e de viagens pagas. Uma hospedeira de bordo era uma espécie de Barbie de trolley na mão, a sacudir-se em cima de saltos altos pelos aeroportos, cheia de graça, impecavelmente maquilhada e vistosa, cabelos longos apanhados em rabo de cavalo, mais viagens a destinos de sonho, com direito a estadia em hotéis de cinco estrelas. Os filmes - como o "007- Missão ultra-secreta", em que Roger Moore na pele de James Bond confessa que só se casaria se fosse com uma hospedeira- ajudavam a construir o romance. Agora, hospedeiras e ex-hospedeiras são as primeiras a assumir: a profissão perdeu o glamour.









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Digamos assim: nos treinos do Krav Maga não sou conhecida por ser a única miúda da turma [já não sou, agora anda por lá um Tom Boy, mas isso fica para outro post], não me destaco pelas (lindas) luvas de boxe, nem tão pouco pelos meus atributos (bestiais) na arte dos uppercut. Nas minhas aulas de Krav Maga a minha fama (além fronteira do ringue) tem como base as flexões que faço (involuntariamente), isto é, a quantidade de (variadas) flexões que faço de castigo. Não porque seja mal educada, calona ou preguiçosa [na verdade sou dos alunos mais diligentes daqueles treinos – nunca falto, levo sempre todo o equipamento (luvas, protectores de canelas, protectores de dentes, ténis rasos e tudo em cor de rosa)] mas porque sou uma pessoa muito sociável [na verdade sou uma pessoa gozona, gozona, gozona e ali isso é pago em flexões]. A questão é que nem o treinador aguenta o riso nas parvoíces que me saem [como ameaças a gajos de 2 metros de altura e 3 de largura – se te apanho no ringue desfaço-te a vida, e eles cheios de medo – é isso, Anita... É isso – e a continuarem a falar uns com os outros das técnicas de matar pessoas] . Era suposto ele ser mau, bera, selvático, mas é um querido, com uma paciência bíblica e uma vontadinha de se rir que disfarça em flexões: Ana, enche dez e eu respondo, epá... isso é muito. E Ele: passa a 20. E eu queixinhas: Porra... só de te ouvir já 'tou cansada. E ele: Já são 30 e eu e virar costas: preciso de fumar um cigarro. Normalmente acabo nas 50 [várias vezes por treino] já de bofes de fora. Hoje e por exaustão de me ouvirem dizer que estou gorda e estou gorda e estou gorda, as minhas bicharocas ofereceram-me de Presente de Papai Noel uns calções sudários. Uma coisa demoníaca de vestir, mais justo que a nossa pele, mas que nos faz transpirar imenso durante os treinos. A ideia é boa. Os calções são do joelho até às mamas apanhando todas as zonas críticas. A questão é que [não sei se do material, se é normal, se têm defeito] cada passo que dou os calções fazem puuufffff [exactamente como uma bufa daquelas que se disfarça nos sofás]. Já me transpirei a rir sozinha, já me ri agorinha com o meu pai, e suspeito [quase com certeza] que hoje saio do treino com uns braços à laia de Lady Hercúles.


About Me

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miudadodeserto@gmail.com


«Este blog, como outros que criei, é um diário. Há qualquer coisa de insólito, incongruente, patético, em criar um diário, que é suposto ser uma coisa secreta, íntima, e, depois, dar a lê-lo a quem queira. Há qualquer coisa de Big-Brother doentio e exibicionista nisto tudo. Mas, por ser um diário, é que escrevo com despudor. (...) Sei que escrevo o que devia guardar para mim. Alivia-me escrever. Por enquanto, por agora, vai servindo de válvula de escape. É que os dias correm, velozes, sucedem-se em catadupa, sem que eu lhes tome o freio.» Ana de Amsterdam